A hemodiálise em trânsito, o tradutor juramentado de chinês e a música no Fantástico

– Aventuras hemodialíticas de um tradutor –

Entre os dias 25 e 27 de maio passados participei do VIII Congresso Internacional de Tradução e Interpretação da ABRATES em São Paulo.

Como não posso perder nenhuma sessão de hemodiálise, a clínica marcou uma sessão em trânsito para mim na sexta-feira, na matriz deles na Aclimação. Hemodiálises em trânsito têm que ser marcadas sempre com bastante antecedência, sempre que um paciente renal precisa viajar. É um procedimento bem burocrático, mas deu tudo certo.

No dia 26 às 15 horas fui até à clínica para a diálise e a sessão começou sem maiores novidades.

Uns minutos depois começo a conversar com os outros pacientes e nisso um senhor chinês que estava na poltrona ao lado da minha contou que era tradutor juramentado na China. E começou a contar como funcionava a profissão por lá. Segundo ele, após a formação universitária e a juramentação, os tradutores são enviados a todos os cantos do mundo, de acordo com a necessidade do governo chinês. Pelo que ele disse, só falta o governo carregar esses tradutores no colo: salário de dez mil dólares por mês, casa, carro e uma conta de despesas ilimitada, tudo bancado pela China.

Ele contou que quando ficou doente no Brasil, ficou reduzido a uma pensão de três mil reais mensais e agora estava em dificuldades. Então perguntei porque ele continuou aqui e não voltou para a China, já que eles eram tão bem cuidados lá. E ele disse: “não volto não. Lá é tudo muito bom, mas não se tem liberdade nenhuma e o governo controla toda a sua vida. Prefiro ficar por aqui mesmo”. =D

Entreguei um cartão para ele (só um tradutor seria capaz de levar cartões de visita para uma hemodiálise), a conversa morreu naturalmente, e a diálise continuou.

Tudo ia bem até que, faltando uns 50 minutos para terminar, aconteceu tudo o que podia ter acontecido: tive hipoglicemia (baixa de açúcar no sangue), hipotensão (pressão baixa) e cãibras. Em geral não costumo ter problemas nas sessões, mas daquela vez foi caprichado.

Nesses casos, só tem um jeito: encerar a sessão antes da hora e tentar descontar o peso que não foi extraído nas sessões seguintes. Então saí daquela hemodiálise “devendo” um quilo para a próxima sessão.

Mas pelo menos houve algo de bom: com três problemas de uma vez só, acho que até poderia ter pedido música no Fantástico.

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