Cozinha, cultura e globalização – 1

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Cozinha: indicador de globalização

A cozinha é um bom indicador de globalização. A cozinha francesa, por exemplo, não é só francesa. Nestes tempos de globalização, isso não é difícil de entender. As sociedades que se fecham estão fadadas ao empobrecimento e talvez até mesmo ao desaparecimento cultural.
banquetes na Roma Antiga
No Satíricon, de Petrônio, descrições de banquetes

Nas origens Na Antiguidade, os Gauleses (antepassados dos franceses), assim como outros povos da Europa ocidental, já dispensavam cuidados no preparo e apresentação dos pratos. Eram, geralmente, carnes e aves que, depois de assadas, eram decoradas com as próprias plumas, ou partes como cabeças, cristas e patas; ou outros disfarces e brincadeiras difundidos, sobretudo, pelos Romanos durante suas conquistas. Aliás, eles foram responsáveis por intenso cruzamento e difusão de cultura e hábitos gastronômicos. Assim como influenciavam suas colônias, delas também traziam costumes, receitas e temperos. Assim como os transportavam de uma para outra. Plínio, o Velho (23-79 A.D.), naturalista romano, em sua História Natural – capítulo XI, já citava o queijo roquefort como um dos melhores presentes que as colônias da Gália podiam oferecer a Roma. No Satíricon, de Petrônio (séc. I – A.D.), podemos ler descrições de lautos banquetes, onde eram servidas as mais variadas carnes: leitões e cabritos recheados com linguiças – que já se preparavam na época; tordos, fígados e outros miúdos de cordeiro, cabrito, porco, etc; aves exóticas, trazidas do Oriente; mel, tâmaras e muitas outras frutas e legumes originários da bacia do Mediterrâneo e consumidos até hoje. Além, é claro, do pão e outros preparos rudimentares de massas, ou papas que se transformaram ao longo do tempo.

Peixes e frutos do mar eram, às vezes, levados até regiões distantes da costa, conservados no gelo trazido do alto dos Alpes. Com o gelo dos Alpes também já eram preparados alguns tipos de sorbet (sucos de frutas, gelo e mel). Mas isso tudo acabaria por se perder durante a Idade Média. Em alguns relatos, consta que os Romanos já conheciam o foie-gras (fígado gordo extraído de gansos ou patos superalimentados), tendo talvez levado esse costume para a Gália (França), onde foi conservado e desenvolvido em vários usos e preparos. Provavelmente, conheceram essa iguaria no Egito. Mas esse item merece um capitulo a parte.

Cozinha, cultura e globalização

2:  Migração das aves e seus fígados gordos
3:  Perdas e Ganhos da Cozinha na Idade-Média
4:  Os primeiros chefs
5:  Frango para todos
6.  A cozinha moderna
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