Literatura contemporânea brasileira: 14 livros

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Dizem que  brasileiros amam listas.

Preparamos uma aqui: 14 livros indicados em… outras listas. São obras de autores brasileiros das últimas décadas. O critério foi realmente figurar em mais de uma lista.

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1 – Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós (Cosas Naify)

Parece um enredo simples: um menino tem de aprender a conviver com sua madrasta enquanto ainda sofre pela morte de sua mãe. Mas só parece. Neste livro, cheio de simbolismos e profundidades abissais, a força da ausência, assim como a água, “se instala mesmo entre as pausas das palavras”.

2 – Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas (Cosac Naify)

Não há qualquer possibilidade de respiro entre os 35 poemas deste livro. Uma vez que se inaugure sua leitura, há algo de pulsante e de uma deliberada catarse convocada pela autora. Em todos os versos, a figura da mulher é construída e desconstruída, indo ao confronto em um mundo no qual a desigualdade de gênero é ainda latente, mas também para romper com o que se estereotipou como sendo sua identidade.

3 – Diário da queda, de Michel Laub (Companhia das Letras)

O romance mais maduro e bem realizado de um escritor atento aos trancos históricos sobre o indivíduo. Concisão, elegância e profundidade.

4 – K. – Relato de uma busca, de Bernardo Kucinski (Cosac Naify)

Dilacerante é um bom adjetivo para este livro que logo vem com um aviso do autor: “Caro leitor: tudo neste livro é invenção, mas quase tudo aconteceu”. É, sim, mais um livro que tem a ditadura militar como pano de fundo da trama, mas é primoroso como Kucinski tece as teias que ligam um pai desesperado em busca da filha desaparecida, deixando para trás o abismo que os separavam. E é nessa procura, a partir dos vestígios que recolhe, que ele passa a descobrir uma mulher diferente do que imaginava, a qual talvez não possa reencontrar.

5 – Um copo de cólera, de Raduan Nassar (Companhia das Letras)

Segundo livro da curta e primorosa obra de Nassar, um livro fundamental por alguns motivos: escrito nos últimos anos da ditadura militar – embora não haja menção a isso –, autor introjeta o ódio nas falas das personagens, quase como refletindo o clima tenso que a sociedade atravessava.

6 – Porventura, de Antonio Cícero (editora Record)

O amadurecimento de Cícero é notável nessa reunião de poemas que dialogam com os clássicos, na forma e no conteúdo, sem perder o frescor e a pungência que balizam sua poesia.

7 – Fico besta quando me entendem, de Hilda Hilst (Biblioteca Azul/Globo Livros)

Um livro bem editado de entrevistas com a bruxa/escritora de mistérios Hilda Hilst. Organizador: Cristiano Diniz

8 – O filho eterno, de Cristovão Tezza (editora Record)

Na sala de espera, entre um cigarro e outro, o protagonista está prestes a ter seu primeiro filho. Ao ver o médico, ele pergunta se está tudo bem, mas não tem dúvidas da resposta positiva. Em sua cabeça, já imagina o filho com cinco anos, a cara dele. Enquanto ainda tenta se acostumar com a novidade de ter se tornado pai, ele tem que se habituar com outra ideia: seria pai de uma criança com síndrome de Down. A notícia o desnorteia e provoca uma enxurrada de emoções contraditórias. Tudo conspira para pieguismo e as lágrimas fáceis, mas a implacável narrativa foge de quaisquer sentimentalismos e autocompaixão, para revelar um mergulho belamente construído pela narrativa no universo do amor.

9 – Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, de Marçal Aquino (Companhia das Letras)

Uma história de amor perdido, e constrói imagens muito bem, não à toa se tornou filme. No interior do Pará, o fotógrafo Cauby amarga a vida com memórias de Lavínia, uma bela e misteriosa mulher casada com um pastor. O romance, contudo, não encontra hostilidade apenas no marido traído; aquela cidade, palco da corrida do ouro, é um lugar hostil onde crimes acontecem e Deus sequer vê.

10 – Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato (Companhia das Letras)

Sucesso de público e crítica, os contos deste livro traçam a vida na metrópole. Uma cidade partida em dezenas de fragmentos narrativos que, a um só tempo, concentram suas histórias e configuram um mosaico que compreende um dia inteiro. Marco da ficção experimental, esse romance embalado por um fluxo contínuo, que ora sofre a velocidade de um vórtice ora a de um sussurro, reúne linguajares, aspectos de contos, qualidades de personagens e estamparias estruturais.

11 – Cidade de Deus, de Paulo Lins (editora Planeta)

Livro virou clássico da literatura de subúrbio nacional. O cinema eternizou o livro.

12 – Harmada, de João Gilberto Noll (editora Record)

Morto nos últimos dias, o autor apresenta um personagem que transita em espaços diversos de uma cidade – um rio, o mar, um matagal, um teatro, um hotel, um asilo de moradores de rua. Nesses lugares, enquanto se relaciona com pessoas de variados tipos, Pedro Harmada experimenta um vasto leque de sensações.

13 – Cinzas do Norte, de Milton Hatoum (Companhia das Letras)

O livro é o relato de uma longa revolta e do esforço de compreendê-la. Na Manaus dos anos 1950 e 60, dois meninos travam uma amizade que atravessará toda a vida. De um lado, Olavo, o narrador, menino órfão, criado pelos tios, cresce à sombra da família do melhor amigo, Raimundo Mattoso, de berço aristocrático. A fim de realizar suas inclinações artísticas, ou quem sabe para investigar suas angústias mais profundas, Raimundo engalfinha-se numa luta contra o pai, a província, a moral dominante e, para culminar, os militares que tomam o poder em 1964. A rebeldia e a posterior fuga do rapaz ampliam o universo romanesco, que alcança a Europa da irrequieta década de 1970, de onde Raimundo manda sinais para Olavo, ainda preso à cidade natal. Por versões e revelações que se cruzam ou desencontram, sem jamais chegar a esgotar o enigma da vida de seus protagonistas, Hatoum escreve, neste romance, uma ‘história moral’ de sua geração.

14 – Angélica, de Lygia Bojunga (editor Casa Lygia Bojunga)

Livro infantil que faz questionamentos importantes sobre o mundo dos adultos e suas paranoias.

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