O terceiro encontro com o japonês, a surra que não houve, e a fila do transplante

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– Aventuras hemodialíticas de um tradutor – 0
7/02/17

Há umas duas semanas uma das pinças do meu cateter de hemoodiálise quebrou.

A enfermeira olhou, olhou, e disse que o cateter teria que ser trocado.

O problema é que o procedimento para trocar o cateter lembra muito uma surra de artes marciais: empurra para cá, puxa para lá, pressiona, puxa, pressiona, empurra… bem complicado. E a de hoje seria a minha terceira troca de cateter – a terceira surra.

Mas, se tem que trocar, tem que trocar. Fazer o quê?
Marcaram a troca para hoje, em São Paulo, e subi a Serra preparado para um procedimento bem chatinho.

Chegando lá, já de cara um pequeno milagre aconteceu: o cirurgião vascular estava adiantado e fui atendido 50 minutos ANTES do horário previsto. Incrível!

Troquei de roupa, coloquei aquela bata cirúrgica ridícula e fui para o centro cirúrgico.

Após a preparação, chega o cirurgão vacular (o japonês do título deste capítulo).

Como quem não quer nada, pergunto a ele:

– Doutor, é mesmo necessário trocar o catéter só por causa da pinça quebrada? Não dá para trocar só a pinça?

E o japonês:

– Dá sim. Vou aproveitar e trocar as duas, já que a outra está quase quebrando também.

Em cinco minutos ele trocou as pinças sem ter que trocar o cateter inteiro. Escapei da surra. 🙂

Para aproveitar a ida a São Paulo marquei a consulta de avaliação para transplante para três horas depois, já que é no mesmo lugar.

Levei a pilha imensa de exames que a coordenadora de transplante renal pediu. Ela examinou tudo, disse que estavam ótimos e que posso entrar na fila do transplante dentro de uns 45 dias.

O único problema é que vai ter que ser transplante renal mesmo, já que eles não querem fazer o transplante que sugeri: extrai umas células-tronco, faz um Jorge de 20 anos e depois transplanta só o cérebro. Não sei por que não concordaram. Acho que foi implicância pessoal comigo. 🙂
Mas agora é a etapa final.

A sorte está lançada

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